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Locais de prova e relação candidato/vaga do CACD 2019

Luigi Bonafé • Atualizado em 5 set 2019 às 10h51Publicado em 28 ago 2019 às 6h21

Agora é oficial: saiu no DOU o Edital n. 2 do CACD 2019, com a confirmação da data de aplicação e a divulgação dos locais de prova da 1ª fase do concurso para diplomata deste ano terrível.

Desde ontem você já pode também emitir seu comprovante de inscrição com o local de prova, no site do Iades.

 

Relação candidato/vaga recorde

Ontem também foi publicada oficialmente a quantidade de inscritos no certame (6.411), confirmando o recorde de candidatos por vaga comemorado pelo chanceler olavete do governo Bolsonaro: 320 inscritos para cada vaga em disputa. No ano passado tinham sido 5.294 inscritos para 26 vagas, ou seja: “apenas” 203 candidatos por vaga. Assusta, né?

No ano passado tinham sido 5.294 inscritos para 26 vagas, ou seja: “apenas” 203 candidatos por vaga

Mas será que isso muda alguma coisa na sua preparação? Sem achismos nem clichês motivacionais, vamos analisar os números para descobrir.

 

  • A última vez em que houve mais inscritos do que neste ano foi no CACD 2013, quando 6.490 aspirantes a diplomata concorreram a 30 vagas.
  • No auge da demanda, quando o CACD oferecia mais de 100 vagas, o recorde de inscritos foi alcançado em 2009: 9.196 pessoas disputaram 105 vagas.
  • O recorde de candidatos por vaga foi atingido dois anos depois, ao esgotar-se o ciclo das “turmas de 100”. Foi no CACD 2011, quando 7.180 pessoas disputaram 26 vagas: foram 276 aspirantes a diplomata para cada vaga em disputa.

Diante desses números, como medir a influência da relação candidato/vaga sobre o grau de dificuldade para estar entre os pouquíssimos aprovados em cada ano?

 

Mais candidatos = aumento da nota mínima para passar?

Impossível estabelecer esta relação de maneira exata, mas a maneira mais racional de tentar chegar perto disso é comparando a relação candidato/vaga com a nota mínima necessária para passar no concurso em cada ano. A equipe do Estudologia já tentou fazer essa conta. Reproduzo abaixo o gráfico que eles divulgaram, mas você pode ver o estudo completo no hotsite “Raio-X do CACD“:

Demanda por vaga/Corte da nota final (fonte: Estudologia)

O estudo concluiu então que, embora seja razoável supor que quanto mais candidatos inscritos, maior tenderia a ser a nota mínima para passar, os dados não confirmam essa relação: “Após normalizar as notas finais, considerando-as em percentual, o resultado (…) apresentou correlação moderada entre as duas variáveis. A demanda por vaga não é tão determinante na dificuldade do concurso.”

“mais relevante que muitos candidatos disputando a mesma vaga é o número total de vagas ofertadas” (Estudologia)

Qual seria então a variável mais determinante para definir o nível do “corte” da nota final do concurso? A equipe da Estudologia seguiu investigando e, depois de fazer as contas, foi taxativa: “Quanto menos vagas ofertadas, mais alta é a nota final necessária para ser aprovado”. Ou seja, para definir qual vai ser a nota final mínima necessária para estar entre os aprovados no CACD, “mais relevante que muitos candidatos disputando a mesma vaga é o número total de vagas ofertadas”.

A julgar por esse critério, é lícito supor, então, que o CACD 2019, ao menos nesse quesito, provavelmente não será recordista. Afinal, o menor número de vagas da história recente do CACD foi em 2014, durante o governo Dilma, que tanto prestigiou o Itamaraty: 18 vagas.

Qual a influência da relação candidato/vaga sobre a nota de corte do TPS?

Mas vamos um passo além dessas contas… o seu primeiro obstáculo não é o nível do “corte” na nota final, mas sim a nota de corte da 1ª fase, cujo epíteto de “TPS” foi consagrado pelo uso. Então cabe analisar se há alguma relação entre esse valor e a quantidade de inscritos, ou a relação candidato/vaga, ou o número de vagas oferecidas a cada ano.

Analisando exclusivamente os resultados do TPS nos últimos 10 anos, algumas conclusões ajudam a refletir sobre isso:

  • não há relação direta entre a quantidade de candidatos inscritos para cada vaga e a nota de corte no TPS: no auge, quando foram 276 candidatos por vaga (CACD 2011), a nota de corte no TPS foi de 62,8%. Em 2016, quando a relação candidato/vaga caiu para menos de 170, a nota de corte no TPS foi virtualmente a mesma: cerca de 61,3%.
  • também não há relação direta entre a quantidade de candidatos aprovados na 1ª fase e a nota de corte nessa etapa. No CACD 2014, o funil do TPS foi estreitíssimo: apenas 100 pessoas passaram para a 2ª fase do concurso. Mas a nota de corte de uma fase para outra manteve-se naquele mesmo padrão de 2011 e de 2016: cerca de 63,7%. No ano seguinte (CACD 2015), além disso, foram 300 aprovados no TPS e a nota de corte subiu quase nada: 64,4%.
  • os dados também não confirmam a hipótese de que quanto mais candidatos inscritos, ou quanto maior a relação candidato/vaga, maior é a nota de corte no TPS. Em 2006, com menos de 60 candidatos por vaga, só passou da 1ª fase quem alcançou 68,9% dos pontos em disputa no TPS. Em 2018, por contraste, foram 203 candidatos por vaga, mas a nota de corte do TPS, ao invés de aumentar, diminuiu: chegou ao patamar historicamente baixíssimo de 57,1%.

em 2009, a relação candidato/vaga foi menor do que 90 e a nota de corte no TPS chegou a 68%. Em 2018, foram 203 c/v; mas a nota de corte “caiu” para 60%

  • mais importante ainda: essa coincidência entre aumento da relação candidato/vaga e diminuição da nota de corte no TPS não foi exceção. Por exemplo: em 2009, a relação candidato/vaga foi menor do que 90. A nota de corte no TPS daquele ano chegou a 68,4%. Anos depois, no CACD 2015, quando a relação candidato/vaga mais do que dobrou (passou de 200), a nota de corte da 1ª fase “caiu” para 64,4%. E, no ano passado, com mais de 203 candidatos por vaga, a nota de corte do TPS “caiu” ainda mais, para 57,1%.

 

O que os números permitem concluir?

Conclusão: um enorme aumento da relação candidato/vaga não resulta, historicamente, em incremento da nota de corte do TPS e nem necessariamente da nota final mínima para tornar-se diplomata. Na ponta do lápis, a verdade é que até mesmo o inverso pode acontecer, como os dados acima evidenciam.

Então agora, diante dos dados quantitativos, você pode tirar suas próprias conclusões sobre o que se pode esperar do CACD 2019 em termos de dificuldade, comparativamente. Pense sobre esses números e conte nos comentários se você chegou a conclusão parecida ou não. Se considerar que é muito difícil analisar os dados sozinho, compartilhe o post com algum colega e vamos debater no espaço abaixo, para descobrir juntos outras variáveis que expliquem as variações históricas reveladas por esses e outros dados.

Sobre o autor: Luigi Bonafé - aprendacom@luigibonafe.com

Eu sou um professor de História apaixonado pelo desafio de redescobrir o magistério e desvendar a banca do CACD a cada ano. Desde 2007 dou aulas especificamente para quem quer ser diplomata. De lá pra cá, as provas do concurso mudaram muito, e os candidatos também. Como professor, eu fui mudando junto. Desde 2015 passei a lecionar nos cursos teóricos extensivos do IDEG, que ajudaram a revolucionar os fundamentos da preparação para o concurso de diplomata. Desde 2016, em plataforma própria e independente de cursinhos, criei um método de preparação para as provas discursivas de História do Brasil do CACD. E esse método foi aplicado pelos 3 candidatos que tiraram as notas mais altas das provas discursivas de HB em 3 anos seguidos: 2016, 2017 e 2018. Deixa eu te contar um pouco mais dessa história...

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