Luigi Bonafé - História para o CACDLuigi Bonafé - História para o CACD

Edital CACD 2018

Resumo geral, análise específica sobre História, link para o Edital CACD 2018 na íntegra e conteúdos gratuitos sobre o TPS

27 jun. 2018

Foi publicado hoje (27/06/2018), no Diário Oficial da União (DOU), o Edital nº 1, de 26 de junho de 2018, que oficializa a abertura do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2018. Segue um panorama geral do que mudou em relação a 2017 e depois:

Conheça as regras

(a) um resumo das principais regras anunciadas no Edital do CACD 2018

(b) o link para a leitura do edital completo no site do Cespe/Cebraspe; e 

(c) um comentário mais específico sobre as provas objetivas e discursivas de História.


A principal mudança já tinha sido divulgada na portaria publicada no DOU de 12/06/2018: o Edital CACD 2018 anuncia 26 vagas para a carreira diplomática, quatro a menos do que em 2017

Outra má notícia veio a público hoje no Edital: apenas 260 aspirantes a diplomata serão aprovados da 1ª para a 2ª fase do concurso, 40 a menos do que em 2017 (ressalvados empates na última colocação).

E o pior de tudo: apenas cerca de 1 mês de intervalo entre as provas de 1ª e 3ª fases. Um pouco menos que isso entre a 1ª e a 2ª fases. Essa novidade não é inédita (vide comentário específico na próxima seção deste texto, sobre as datas dos concursos de 2014 e 2015). Mas, considerando que a nota da 1ª fase não é contabilizada na nota final do concurso, o intervalo encurtado entre as fases vai demandar estratégias criativas para a preparação para as 8 provas discursivas de 2ª e 3ª fases, que são aquelas cujas notas efetivamente "contam" na nota final e definem a classificação no concurso. E vai demandar também, obviamente, que a preparação para as provas de redação da 2ª fase ocorra em paralelo à preparação para as provas discursivas da 3ª fase. Isso também não é exatamente uma novidade para candidat@s veteran@s, mas em 2018 vai acontecer num prazo especialmente exíguo.

Outro detalhe importante para não perder de vista: o resultado final da 1ª fase será divulgado praticamente uma semana antes do dia em que será aplicada a primeira prova da 2ª fase. Ou seja, em 2018, mesmo que você deixe para começar o treinamento para as provas discursivas apenas após ter feito o TPS, não vai dar tempo de esperar ter certeza que ficou acima da "nota de corte" para só depois decidir quais cursos de 2ª e 3ª fases você vai fazer.

Além das mudanças, houve também a manutenção de outro aspecto considerado extremamente negativo por candidat@s do CACD 2017: as 6 provas de 3ª fase continuam concentradas em apenas 3 dias consecutivos. A "boa" notícia é que a distribuição das disciplinas ao longo dos três dias ficou um pouco menos insana, com as provas de HB e PI (de 10 páginas cada),  em dias separados.

Pelo lado positivo, entre muitas outras coisas, destaco três aspectos:


- História continua sendo a disciplina que vale mais pontos no concurso (22,0 de 73,0 na 1ª fase e 100,0 de 600,00 na 3ª fase). Destaque para o peso de História no TPS: mais de 30% dos pontos em disputa na fase que costuma eliminar mais de 90% d@s candidat@s estão distribuídos entre questões objetivas de História do Brasil e História Mundial.

- Os procedimentos de "heteroidentificação", cujo objetivo é validar a autodeclaração de candidat@s negr@s, foi deslocado para dezembro. Ou seja, em vez de obrigar @s cotistas a se deslocarem para Brasília e perderem tempo, dinheiro e energia para passar por esse polêmico processo no meio das provas, entre uma fase e outra, agora o Cespe foi um pouco mais razoável e transferiu essa "etapa" para depois de todas as provas. Não resolve nenhuma das outras muitas pendências e polêmicas que envolvem a forma como o CACD vem lidando com a definição de quem é ou não é negr@, mas atrapalha menos.

- Embora não surpreenda, é digno de nota que o Edital do CACD 2018 comprova a força de uma das mais estáveis "tradições" da diplomacia brasileira. Todo ano tem concurso para diplomata, há décadas.

Vagas: 26 (total)
   
     - Ampla concorrência: 19
     - Candidatos negros: 5
     - Pessoas com deficiência: 2

Remuneração inicial no Brasil:

     - R$ 18.059,83 (valor bruto)

Inscrições:
direto no site do Cespe/Cebraspe


     - Valor: R$ 230,00
     - Prazo: das 10h de 02/07/2018 até as 18h de 16/07/2018

Resumão geral das 3 fases


Antes de analisar especificamente as regras do Edital relativas às provas de História do Brasil e História Mundial, segue um resumo (não exaustivo) das demais regras gerais do CACD 2018 previstas no Edital. Ressalte-se que esse resumo não torna fútil a leitura do Edital na íntegra (vide link abaixo). Você quer ser diplomata e por isso está lendo milhares de páginas de textos. Não vá cometer o equívoco de deixar de ler mais algumas poucas linhas do documento mais importante para a sua preparação.


1ª fase - TPS - objetiva e eliminatória

    Data "provável": 26 de agosto de 2018
    Horários: 3 horas de manhã e 3 horas à tarde (9h30 às 12h30 e 15h às 18h)
    APENAS eliminatória (não contabilizada na nota final do concurso)
    73 questões com 4 itens APENAS de C ou E (sem múltipla escolha)
    "Uma errada anula uma certa" (portanto, treine para deixar em branco com sabedoria)
   
    - Quantidade de candidatos aprovados para a 2ª fase: 260 (40 a menos do que em 2017)

        195 pela ampla concorrência
          52 beneficiários da cota para negros
          13 pessoas com deficiência

    - Quantidade total de questões: 73 (valor máximo: 1,0 ponto cada)

          Língua Portuguesa: 10
          Língua Inglesa: 9    
          História do Brasil: 11
          História Mundial: 11
          Política Internacional: 12
          Geografia: 6
          Noções de Economia: 8
          Noções de Direito e Direito Internacional Público: 6


[sem mudanças na distribuição de questões por matéria em relação ao TPS do CACD 2017. Ou seja, em termos relativos, na comparação com o Edital do CACD 2016, Geografia, HB e Economia ganharam peso na 1ª fase do concurso, enquanto Português e Inglês perderam importância relativa na nota do TPS... apenas relativa a 2016, e apenas na 1ª fase...]


    - Resultado final da 1ª fase e convocação para 2ª fase: 14/09/2018



2ª fase -  Inglês e Português - Discursivas 

    Data: 22/09/2018 (Português) e 23/09/2018 (Inglês)
    Eliminatória e classificatória
    Duração: 5 horas cada (início às 14h)

    Nota mínima em Inglês: 50,0 pontos
    Nota mínima em Português: 60,0 pontos


3ª fase - HB, Geo, PI, Eco, Dir e Fra/Esp - Discursivas

    Datas (respectivamente manhã e tarde, a partir de 9h e 15h):
       28/09/2018 - História do Brasil e Geografia
       29/09/2018 - Política Internacional e Noções de Economia
       30/09/2018 - Noções de Direito e Direito Internacional Público (manhã) e Língua Espanhola e Língua Francesa (tarde)

    Nota mínima no conjunto das 6 provas da Terceira Fase: 360,00


Resultado final do concurso: na "data provável" de 21/12/2018. Quem passar terá um belo presente de Natal. Muito provavelmente, esse calendário deve confirmar a tendência inaugurada a partir do CACD 2017, de dar posse a nov@s diplomatas apenas no início do ano seguinte ao da realização das provas do concurso.

Atenção para o intervalo entre as fases


Se você julga que tem chance de chegar até a última fase do CACD 2018, precisará ter especial atenção ao curtíssimo intervalo entre as fases do concurso. Veja:



1ª fase - 26/08
      Resultado 1ª fase e convocação para a 2ª fase - 14/09
2ª fase - 22/09 e 23/09
3ª fase - 28/09, 29/09 e 30/09



Menos de um mês entre a prova objetiva (o TPS) e a primeira das 8 provas discursivas da 2ª e 3ª fases.


Isso é inédito? Não. É o pior cenário da história do CACD? Também não.



Em 2015, por exemplo, o TPS aconteceu em 02/08 e a 2ª fase rolou em 30/08. Mas daí até as provas da 3ª fase @s candidat@s tiveram mais 2 meses: até 31/10. Então a "correria" foi "apenas" entre 1ª e 2ª fases.


Em 2014, no entanto, foi ainda pior que 2015 e pior do que será agora em 2018: TPS no dia 06/04; 2ª fase menos de um mês depois, em 03/05; e, já no dia seguinte, 04/05, a primeira prova da 3ª fase. Moral da história: poderia ser (um pouco) pior.



Mas, em termos práticos, isso significa que:


(1) se já foi pior, então teve quem já conseguiu lidar com isso... você pode aproveitar essas experiências e pode partir da premissa de que, por mais difícil que seja, é possível, porque já foi feito;


(2) pode ser prudente começar desde agora a considerar a possibilidade de iniciar a preparação para as provas discursivas em paralelo à preparação intensiva para o TPS, em vez de esperar passar a prova da 1ª fase para só depois pensar em 2ª e 3ª fases. Afinal, sem passar no TPS você não vira diplomata, mas são as provas discursivas que definem sua nota final. Ou seja, não dá pra negligenciar nenhum dos dois "lados": o desafio é encontrar o equilíbrio entre eles que vai funcionar pra você.


Análise das regras sobre História

Comentários breves e preliminares sobre aspectos do Edital relativos especificamente às provas objetivas e discursivas de História no CACD 2018:


     - 1ª fase (apenas eliminatória, questões objetivas): História continua sendo a disciplina que vale mais pontos. Assim como aconteceu em 2017, mais de 30% dos pontos em disputa no TPS serão distribuídos entre as questões objetivas de História Mundial e História do Brasil (22,0 dos 73,0 pontos possíveis);

      - 3ª fase (eliminatória e classificatória, questões discursivas): sem mudanças nas regras gerais em relação aos últimos anos. Serão 4 questões discursivas apenas de História do Brasil, duas delas de 90 linhas (valendo 30,0 pontos cada) e outras duas de 60 linhas (20,0 pontos cada), somando no máximo 100,00 dos 600,00 pontos em disputa na Terceira Fase do CACD 2018. Mas melhorou um detalhe importante: as 10 páginas de respostas às questões discursivas de História não terão que ser escritas no mesmo dia que as 10 páginas da prova de Política Internacional;

     - Conteúdo Programático: não houve qualquer alteração no conteúdo programático de História Mundial, em relação ao edital do CACD 2017. E, no que se refere a História do Brasil (Primeira e Terceira Fases), o Edital do CACD 2018 trouxe apenas uma mudança sutil no item 6.7 do Conteúdo Programático. No ano passado ele estava redigido assim:


6.7 A política externa: a obra de Rio Branco; o pan-americanismo; a II Conferência de Paz da Haia (1907); o Brasil e a Grande Guerra de 1914; o Brasil na Liga das Nações


Agora, no Edital do CACD 2018, o "pan-americanismo" foi substituído por "sua [de Rio Branco] política para o continente americano". Ficou assim: 


6.7 A política externa: a obra de Rio Branco; sua política para o continente americano; a II Conferência de Paz da Haia (1907); o Brasil e a Grande Guerra de 1914; o Brasil na Liga das Nações.


Na minha humilde opinião, isso não é novidade. Quem conhece a banca sabe que há quase 20 anos o Doratioto publicou um artigo com uma série de inovações na interpretação do que chamou de "política platina" do barão do Rio Branco como chanceler (1902-1912). Naquele texto, o autor de Maldita Guerra já articulava tal análise com uma proposta de releitura da política do barão "para o continente americano", tributária de suas teses sobre a importância que assumiu, na política externa da chancelaria Rio Branco, o "temor obsessivo” de uma intervenção imperialista. Dessa forma Doratioto inovou na interpretação das relações do Brasil com a Argentina, com o Paraguai e com o Uruguai no período; mas também no sentido atribuído à maior aproximação com os EUA e à pretensão do Brasil quanto a seu próprio papel nas relações entre EUA e América Latina, como no caso Alsop. Cumpre notar que todas essas "novidades" do artigo publicado por Doratioto em 2000 já foram incorporadas tanto na "bíblia rubro-negra" (o História das Relações Internacionais do Brasil, publicado em 2014 pela editora Saraiva) quanto em O Brasil no Rio da Prata (download gratuito na Funag) e, sobretudo, no capítulo sobre a política externa da Primeira República do volume 3 da coleção História do Brasil Nação.

Para quem já se prepara há algum tempo para o CACD e conhece a produção do membro mais importante da banca de História do Brasil nos últimos anos, aquela pequena alteração na redação de um dos itens do Conteúdo Programático previsto no edital não constitui, portanto, qualquer surpresa. Talvez indique, no máximo, a formalização de uma realidade que já estava consolidada, tendo sido inclusive objeto de uma questão inteira de 30,0 pontos na prova de HB da 3ª fase do CACD 2016. E esse é só o exemplo mais emblemático. A propósito, leia no Guia do Texugo Melívoro algumas das melhores e piores respostas a essa questão (a partir da página 85). 


No geral, os conteúdos de História textualmente previstos no Edital do CACD 2018 reproduzem a mesma estrutura que vem sendo replicada quase sem alterações há mais de uma década. Recuando um pouco mais no tempo e comparando os editais dos últimos quatro anos (de 2015 a 2018), talvez haja apenas dois detalhes dignos de nota quanto a esse aspecto. Foram mudanças sutis nos conteúdos programáticos previstos em Edital a partir do CACD 2016, e que foram mantidas tanto no CACD 2017 quanto no Edital ora publicado com as regras do CACD 2018. Mas não chegaram a configurar alterações significativas nos Conteúdos Programáticos. Eu diria que foram sintomas apenas de um esforço da banca (leia-se: do Doratioto, em especial) para explicitar textualmente, nos mínimos detalhes, tópicos que já eram cobrados na prática.

          - História do Brasil: em 2016, o Edital do CACD trouxe dois itens "novos" a respeito da história da Política Externa Brasileira durante o período denominado no Edital de "República Liberal (1945-1964)". Reproduzo na íntegra: "o Brasil no Rio da Prata; o Brasil e a expulsão de Cuba na OEA".

          - História Mundial: no Edital de 2016, dois itens que constavam no Edital do CACD 2015 foram excluídos do Conteúdo Programático. O item "Movimentos operários: luditas, cartistas e 'Trade Unions'", numerado como 2.4 no Edital do CACD 2015 (dentro do tópico "2 Revoluções"; e o item "A 'teoria dos dois campos' e a coexistência pacífica", antes enquadrado dentro do tópico "3 As relações internacionais". Por outro lado, houve um aparente acréscimo na redação do item 2.2., que até 2015 referia-se "apenas" aos "Processos de independência na América". Desde 2016, esse item do tópico "2 Revoluções" passou a ser escrito assim: "Processos de independência na América: militarismo e caudilhismo". E, por fim, desde o Edital do CACD 2017, algo análogo foi feito em relação ao item 2.1., que chamava-se "As revoluções burguesas" e passou a ser descrito mais detalhadamente como "A Revolução Francesa e as revoluções burguesas"

Em suma, para o TPS, talvez valha a pena ter um pouco mais de zelo no estudo da Revolução Francesa e do papel de "militarismo e caudilhismo" nos processos de independência na América (Espanhola). Mas, por outro lado, note também que a banca de História não costuma ater-se muito rigorosamente ao que está escrito no Edital... até mesmo na última prova objetiva, em 2017, foram cobrados conteúdos não previstos textualmente, como as sesmarias no período colonial da História do Brasil, a história do Havaí em 1893 ou os "traços distintivos da vida política portuguesa" no século XIX. Portanto, em vez guiar-se apenas pelos conteúdos programáticos do Edital, talvez seja mais prudente pautar-se por aquilo que uma análise mais cuidadosa do histórico das questões de História do CACD pode indicar a respeito dos critérios de avaliação que costumam presidir, na prática, as escolhas da banca elaboradora ao longo dos anos. 

Encontrou algum erro?

Espero que esse resumão, ainda que superficial, tenha alguma utilidade e te ajude a diminuir um pouco a ansiedade inevitável desse momento. 

Mas Editais são o lugar da sutileza e do detalhe. Então, se notar qualquer erro ou imprecisão nas informações acima, peço que por favor me avise 
pelo WhatsApp (21) 99844-4284.

Materiais GRATUITOS sobre História na 1ª fase do CACD:

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