crédito: xenïa antunes

Mudança inesperada: banca só de diplomatas na 1ª fase do CACD 2019

Luigi Bonafé • Atualizado em 5 set 2019 às 11h33Publicado em 3 set 2019 às 5h30

Mudança inesperada na lista de responsáveis pela elaboração de itens objetivos da 1ª fase do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) 2019!

Mesmo depois de ter divulgado, na edição do Diário Oficial da União (DOU) de 29/08/2019, a tão aguardada lista de nomes dos membros das Bancas Examinadoras das 8 matérias do TPS 2019, o Instituto Rio Branco acaba de tornar pública a revogação daquela decisão.

 

Que banca é essa?

A nova banca, divulgada às vésperas da prova da 1ª fase do CACD 2019 (prevista para acontecer no próximo domingo, 08/09/2019), tem 3 características principais:

  1. é bem mais enxuta, com apenas 1 responsável por cada uma das matérias da 1ª fase do concurso
  2. só tem diplomatas de carreira, ou seja, todos são “prata da Casa”
  3. “repetiu” apenas 1 dos membros da banca do TPS 2018

 

Vamos então aos nomes da lista.

 

LÍNGUA PORTUGUESA

Alessandro Warley Candeas

HISTÓRIA DO BRASIL

Bruno Miranda Zétola

HISTÓRIA MUNDIAL

Fábio Moreira Farias

GEOGRAFIA

Adriano Botelho

LÍNGUA INGLESA

João Augusto Costa Vargas

POLÍTICA INTERNACIONAL

Luiz Eduardo Fonseca de Carvalho Gonçalves

ECONOMIA

Fabiano Burkhardt

DIREITO E DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Valéria Mendes Costa Paranhos

 

Na tabela abaixo, a primeira coluna apresenta os nomes de membros das bancas do TPS 2018. A coluna do meio reproduz a lista de nomes anunciados na semana passada. A última coluna traz apenas os nomes dos “sobreviventes”, ou seja, aqueles que constam da Portaria assinada pela nova Diretora-Geral do Instituto Rio Branco e publicada na edição de hoje (03/09/2019) do DOU:

TPS 2018

TPS 2019 v. 1.0

TPS 2019 v. 2.0

 (cf. DOU de 29/08/2019)(cf. DOU de 03/09/2019)
LÍNGUA PORTUGUESA
LÍNGUA PORTUGUESA
LÍNGUA PORTUGUESA
Alessandro Warley CandeasAlessandro Warley CandeasAlessandro Warley Candeas
Eloisa Nascimento Silva PilatiSimone Silveira de Alcantara
Sandra Lúcia Rodrigues da RochaStefania Caetano Martins de Rezende Zandomênico
HISTÓRIA DO BRASIL
HISTÓRIA DO BRASIL
HISTÓRIA DO BRASIL
Marco Aurélio de Paula PereiraAntonio José Barbosa de OliveiraBruno Miranda Zétola
Neuma Brilhante RodriguesBruno Miranda Zétola
Luiz César de Sá Júnior
HISTÓRIA MUNDIAL
HISTÓRIA MUNDIAL
HISTÓRIA MUNDIAL
Marco Aurélio de Paula PereiraAntonio José Barbosa de OliveiraFábio Moreira Farias
Neuma Brilhante RodriguesFábio Moreira Farias
Luiz César de Sá Júnior
GEOGRAFIA
GEOGRAFIA
GEOGRAFIA
Everaldo Batista da CostaAdriano BotelhoAdriano Botelho
Fernando Luiz Araújo SobrinhoFernando Luiz Araújo Sobrinho
Juscelino Eudâmidas Bezerra
LÍNGUA INGLESA
LÍNGUA INGLESA
LÍNGUA INGLESA
Alessandra Ramos de Oliveira HardenJoão Augusto Costa VargasJoão Augusto Costa Vargas
Manuel Adalberto Carlos Montenegro Lopes da CruzOfal Ribeiro Fialho
Raquel Lourenço Corrêa
Thiago Blanch Pires
POLÍTICA INTERNACIONAL
POLÍTICA INTERNACIONAL
POLÍTICA INTERNACIONAL
Alcides Costa VazAlcides Costa VazLuiz Eduardo Fonseca de Carvalho Gonçalves
Norma Breda dos SantosAntonio Jorge Ramalho da Rocha
Christian Philip Klein
NOÇÕES DE ECONOMIA
ECONOMIA
ECONOMIA
Andrea Felippe CabelloAndrea Felippe CabelloFabiano Burkhardt
Daniel Klug NogueiraDaniel Klug Nogueira
Luciana Acioly da SilvaFabiano Burkhardt
NOÇÕES DE DIREITO E DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO
DIREITO E DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO
DIREITO E DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO
Letícia Frazão Alexandre de Moraes LemeLeonardo de Camargo SubtilValéria Mendes Costa Paranhos
Mamede Said Maia FilhoGustavo Oliveira de Lima Pereira
Mamede Said Maia Filho
Valéria Mendes Costa Paranhos

 

Como se pode concluir pela breve leitura da tabela, o único nome que se repete nas 3 colunas é o de Alessandro Candeas, na banca de Língua Portuguesa. De outro lado, o único nome que apareceu pela primeira vez apenas na Portaria do DOU de hoje é o do diplomata que será responsável sozinho pela elaboração de todas as 12 questões objetivas de Política Internacional da 1ª fase do CACD 2019.

Por que a mudança?

É óbvio que uma notícia dessas suscita dúvidas, questionamentos e muita ansiedade entre candidatos.

Eu lamento não ter nada muito auspicioso para dizer aos cacdistas, mas nesse momento a minha imaginação limitada conseguiu elaborar apenas 3 hipóteses, não excludentes, que poderiam explicar tal mudança. Ênfase para hipóteses. Um pouco mais de ênfase para a minha total ignorância em relação a informações de bastidores que tenham sido capazes de produzir tamanha reviravolta de uma semana para outra, em concurso tão importante e complexo como é o CACD. Ainda assim, me parece que nesse caso, excepcionalmente, é pertinente especular, diante da absoluta ausência de informações oficiais a menos de 7 dias da prova (e vamos discutir isso nos comentários, para ver se chegamos a alguma conclusão ao longo do dia, caso o próprio MRE não se manifeste).

Às hipóteses, não excludentes:

  1. a nova Diretora-Geral quis imprimir sua marca ao CACD logo no primeiro dia de gestão: nem Cespe, nem IADES, a banca do CACD é o IRBr. De diplomata para diplomata, “tudo em Casa”
  2. restrições orçamentárias ou entraves burocráticos estavam impedindo ou retardando a formação das bancas e a elaboração das provas
  3. os responsáveis pelo CACD gostam mesmo é de se divertir às custas de candidatos e candidatas.

Eu, pessoalmente, descartaria a terceira hipótese porque, à parte a sucessão de nomes na Direção-Geral do Instituto Rio Branco e na chancelaria, há um corpo coeso de burocratas qualificados e sérios que dedica alguns preciosos anos de suas carreiras à tarefa ingrata e quase anônima de fazer esse concurso funcionar anualmente. Minha aposta seria na primeira conjectura da lista, até mesmo por ignorância de outros possíveis fatores institucionais envolvidos na decisão. Mas cumpre notar que eu não acho que seria possível que a nova Diretora fizesse algo assim caso não houvesse ampla simpatia pela ideia de uma banca “puro-sangue” já bastante difundida entre os próprios diplomatas que costumam tomar as principais decisões sobre o concurso. E sinceramente não tenho como asseverar que tal inclinação exista. Por isso, ressalto, trata-se apenas de hipótese.

ATUALIZAÇÃO em 05 set. 2019: Diretora-Geral delegou condução do concurso para o Diretor Adjunto

no DOU publicado hoje (05/09) saiu a decisão de delegara competência para conduzir a realização” do CACD 2019 para o “diretor-geral adjunto do Instituto Rio Branco”. Trata-se de Bruno Carrilho, que está lotado no Instituto há alguns anos e conhece o concurso como ninguém. Isso reforça a impressão de que a troca da banca teve algo a ver com a mudança na Direção-Geral do IRBr, mas afasta a hipótese de a decisão ter sido fruto de uma tentativa da nova Diretora de imprimir uma “marca” própria ao CACD no primeiro dia de gestão. Na minha opinião pessoal, não calcada em conhecimento de fatos, mas numa interpretação particular, a delegação de responsabilidade indica duas coisas: (a) preocupação institucional com a manutenção da continuidade no processo já iniciado pela gestão anterior, sem grandes rupturas; e (b) a existência prévia, na “Casa”, de uma “ampla simpatia” pela ideia de uma banca puro-sangue, como aventado acima… para os candidatos, esses detalhes devem ser vistos como tranquilizadores, à medida em que reforçam a continuidade e, portanto, a previsibilidade do concurso, em linhas gerais (sem prejuízo das mudanças que, note-se, ocorrem sempre, todos os anos, mas em doses graduais, sem drásticas guinadas).

 

Quais as implicações práticas da mudança?

Eu tenderia a dizer que, a menos de 1 semana da data marcada para a aplicação da prova, nada muda, porque a essa altura as questões já estariam todas elaboradas, revisadas e talvez até impressas. Antes, portanto, da nova Diretora sequer ter tido tempo de sentar-se à nova mesa de trabalho para assinar uma portaria, a prova já estaria pronta e teria sido elaborada pelas pessoas listadas na Portaria publicada no DOU de 29/08/2019.

Mas, na realidade, minha ignorância e surpresa diante da notícia impedem tal conclusão. Não há ainda motivo para alarde, mas de fato houve uma diminuição tão grande da quantidade de membros da Banca Examinadora que torna-se improvável imaginar a possibilidade de todas as 73 questões da prova de domingo serem elaboradas pelos 8 nomes listados acima.

Mais ainda: nenhum dos 3 integrantes da banca de Política Internacional publicada em 29/08 consta desta lista de 03/09. Então, mesmo que a decisão de mudar a banca tenha sido tomada na sexta-feira passada, antes da nomeação oficial da nova Diretora do IRBr, ainda assim o diplomata responsável pelas 12 questões da prova de PI teria que conseguir produzir uma quantidade relativamente grande de questões em poucos dias. Além disso, essas questões teriam que passar, em tese, por todas as etapas da revisão técnica, pela diagramação e impressão das provas, sua distribuição pelo país todo etc. Tudo isso em não mais do que uma semana.

Não, não estou dizendo que a prova será adiada. Não localizei nenhuma informação que aponte para essa direção. Aliás, seria absolutamente temerário contar com isso, se você é candidato e está inscrito no CACD 2019. Mas, com a manutenção da data do TPS e a divulgação da mudança da banca a tão poucos dias da data prevista para aplicação das provas da 1ª etapa do concurso, é preciso admitir que há a possibilidade de essa lista de nomes publicada no DOU de hoje estar incompleta.

E as bancas de HB e HM, como ficaram?

Diante das informações disponíveis no momento em que escrevo (dia 03/09/2019, por volta de 4h da manhã), o cenário é inusitado, se comparado aos últimos anos da história do CACD.

Em primeiro lugar porque, em tese, há apenas uma pessoa responsável por cada conjunto de 11 questões de História do Brasil e História Mundial.

Em segundo lugar, porque nenhuma dessas pessoas tem carreira acadêmica na área de História ou sequer publicou algo relevante a respeito de qualquer um dos conteúdos programáticos de HB e HM previstos no Edital do CACD 2019.

Em terceiro lugar, porque ambos os diplomatas oficialmente responsáveis pelas questões objetivas de História do concurso deste ano têm predileção por temas de História Antiga e Medieval. Para ficar em apenas um exemplo, Bruno Zétola, o diplomata responsável pelas 11 questões objetivas de História do Brasil, tem graduação, mestrado e Doutorado na área, todos pela UFPR. Toda sua trajetória acadêmica foi dedicada a estudos especializados no período da Alta Idade Média ou da “Antiguidade Tardia”. A tese de Doutorado que ele concluiu em 2010 e foi publicada em livro pela Editora da UFPR tratou de “Política Externa e Relações Diplomáticas na Antigüidade Tardia”.

 

História do Brasil: Bruno Zétola

Bruno Zétola tem trajetória profissional intimamente vinculada a temas culturais e principalmente à promoção do ensino da língua portuguesa. A edição mais recente dos Cadernos de Política Exterior do IPRI trouxe um artigo de Zétola sobre as “Diretrizes para Difusão da Língua Portuguesa pelo Brasil no Exterior”. Questões sobre o projeto de Comunidade Luso-Afro-Brasileira ou o longo processo de constituição da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que já foram cobradas no CACD há muitos anos (em 2004, 2007 e 2010, por exemplo) poderiam eventualmente ganhar alguma relevância diante disso… mas essa não me parece ser uma aposta muito consistente.

De resto, apenas publicações pontuais cuja influência sobre as questões da prova de domingo talvez não devam ser exageradas: um livro recentemente publicado sobre as relações culturais entre Brasil e Cabo Verde; um brevíssimo texto sobre Antonio Vieira (“Antonio Vieira: Alma del barroco luso-brasileño”, publicado em menos de 10 páginas do periódico Brasil Cultural, de Lima, em julho de 2011); e diversos trabalhos burocráticos ligados à sua atuação profissional como diplomata brasileiro devotado a temas culturais. Alguns exemplos: um comentário sobre a obra mais conhecida de Sérgio Buarque de Holanda (ZÉTOLA, B. M. Raízes do Brasil. Textos do Brasil 13 – Sabores do Brasil, Brasília, p. 42 – 51, 01 dez. 2007); outro sobre “Festas Populares” da tradição nacional (ZÉTOLA, B. M.; SEIXAS, A. M. Textos do Brasil 15 – Festas Populares. Brasília: Ministério das Relações Exteriores, 2009); mais um sobre capoeira (ZÉTOLA, B. M.; SEIXAS, A. M. Textos do Brasil 14 – Capoeira. Brasília: Ministério das Relações Exteriores, 2008); outro sobre Niemeyer (ZÉTOLA, B. M.; SEIXAS, A. M. Oscar Niemeyer. Catálogo da exposição. Brasília: MRE, 2008); e assim por diante…

Ainda nesse diapasão da busca (um tanto inócua, a meu ver) de pequenos indícios de relação entre a trajetória do membro da banca e as possíveis questões que ele possa elaborar, Bruno Zétola informa em seu currículo Lattes que participou de Congresso acadêmico realizado em 2012 sobre as ameaças de corsários e piratas ao Império Ultramarino Português (“Corso y Piratería en América. Piratas en la orilla: La defensa militar de Brasil en la crisis del Imperio Marítimo Portugués”). Não há, contudo, informação explícita sobre qual o tipo de participação do diplomata nesse evento.

 

História Mundial: Fábio Farias

Adicionalmente, como é sabido, um fato invulgar que já foi digno de nota anteriormente é que o diplomata escalado para a banca de História Mundial do CACD 2019 sequer concluiu a graduação em História, a julgar pelas informações públicas do currículo Lattes certificadas pelo próprio autor em abril de 2019, que eram as mais recentes quando da publicação desse texto:

 

Ele foi recentemente aprovado na seleção para o Mestrado em História da UnB, contudo:

 

 

É lícito recomendar, então, que o cacdista ansioso (quase um pleonasmo) em relação ao diplomata responsável pelas 11 questões objetivas do extenso programa de História Mundial não detenha-se nas impressões iniciais sobre seu avaliador. Fábio Farias, ainda que não tenha concluído a graduação em História, ou mesmo que seja um historiador recém-formado (caso a informação do currículo de abril deste ano esteja desatualizada alguns meses), é possivelmente um prodígio. Ele concluiu a faculdade de Administração de Empresas (na FGV/SP) em 2003 e tornou-se diplomata logo em seguida, em 2004, antes da “era das 100 vagas”. Concluiu o Curso de Formação de Diplomatas no Instituto Rio Branco em 2005 e obteve o Mestrado em Diplomacia (que não existe mais), após defender Dissertação sobre as relações bilaterais Brasil-Argentina (tema que costuma ser cobrado nas provas de História do Brasil e de Política Internacional, mas não na de História Mundial). De lá pra cá, passaram-se cerca de 15 anos. Tempo suficiente para que Fábio galgasse diversos degraus da carreira até chegar a Conselheiro em junho de 2018, antes mesmo de completar 40 anos de idade. O cargo que exerce hoje é o de Subchefe da Assessoria de Relações Federativas e com o Congresso Nacional, para o qual foi nomeado em agosto último.

 

O que as mudanças significam — e como isso afeta seus estudos de História

É evidente, portanto, que o cacdista pode esperar questões objetivas de História elaboradas por gente muito séria e qualificada, com experiência profissional consistente e uma história de comprometimento com o serviço público. Quanto a isso não há o que temer.

Também me parece absolutamente seguro contar com uma banca que, embora formada por dois “novatos” no CACD, terá questões elaboradas com zelo e responsabilidade.

Se você chegou até aqui na leitura deste longo texto, contudo, é porque tem algum interesse na minha opinião pessoal a respeito dessa nova e idiossincrática banca de História. Mas isso demanda um disclaimer. É que a despeito de eu ser professor especializado no CACD e de me dedicar a dar aulas de História, devo alertá-lo quanto ao fato de que minhas impressões têm relevância virtualmente nula para a prova que você vai enfrentar domingo. O que importa nesse momento, em termos pragmáticos, e terá efeito sobre a prova a que você vai submeter-se, são três características não tão óbvias dessa banca (fique com os fatos listados a seguir e ignore meus comentários pessoais sobre eles):

  • Independentemente do motivo por trás das mudanças que o DOU de hoje anunciou, o resultado é muito específico: o IRBr está no comando. Isso não era necessariamente assim até o ano passado, e isso não é necessariamente bom. Ocioso tentar avaliar, vaticinar ou sofrer por antecipação, mas estamos no Brasil e essa história de concurso público 100% sob controle de membros da própria instituição em que os candidatos vão ingressar me cheira a bancas de concursos para o magistério superior em universidades públicas, que — salvo honrosas exceções, sempre dignas de nota — são notoriamente uma caixa preta e dão margem a critérios de avaliação pouco transparentes, pra dizer o mínimo. Não vejo qualquer risco de o CACD chegar sequer próximo desse padrão, mas uma banca 100% “puro sangue” corre o sério risco de representar um retrocesso em relação à crescente padronização que o concurso vinha apresentando nos últimos anos, sobretudo no formato, na transparência e nos critérios de correção das provas discursivas (sempre difíceis de corrigir com isonomia). A não ser, é claro, que esse critério de composição da banca da 1ª fase seja diferente do que for aplicado às bancas da 2ª fase do CACD 2019.
  • Em relação aos 2 diplomatas encarregados de elaborar as questões de História do Brasil e História Mundial, há um elemento em comum: nenhum dos dois tem produção acadêmica relevante nem parece nutrir predileção pela pesquisa em nível universitário, até hoje. Os dois são diplomatas de carreira, ambos com trajetórias bastante consistentes e especialidades delineadas, à primeira vista. Além disso, tudo o que os dois já produziram (ou estão produzindo, no caso do mestrando) em termos do que se pode chamar de história acadêmica é referido a períodos que passam ao largo dos conteúdos programáticos previstos em Edital. Não me parece, portanto, que seja pragmático buscar estudar aquilo que os elaboradores das 22 questões de História supostamente gostam mais, ou sabem mais, ou pesquisaram mais. Essa tende a ser uma prova de História do Brasil e História Mundial Contemporânea feita por pessoas que sabem História mas não são especialistas. E isso é bom para a qualidade da prova: afasta o risco de alguém ser beneficiado ou prejudicado porque o fulano estudou a história da guerra da lagosta durante 20 anos da sua vida profissional e acha que esse é um conteúdo relevante para avaliar quem está ou não apto a ser diplomata.
  • Por último, o aspecto mais negativo dessa história toda. Ou não necessariamente negativo, mas aquele que, dentre as muitas variáveis imprevisíveis, é o que mais me inspira algum receio fundado quanto à qualidade da prova que vem por aí… até onde eu consegui apurar (e não foi muito, fique claro), nenhum dos dois responsáveis pelas questões de História do TPS 2019 tem qualquer experiência ou treinamento na elaboração de itens objetivos de provas de concurso público ou avaliações de larga escala. É verdade que esse tipo de qualificação não costuma estar estampado no currículo da pessoa, por ser um gênero de trabalho que envolve, via de regra, certo grau de sigilo. Mas a trajetória profissional de ambos não parece apontar indícios de algo relacionado com isso. Ademais, os dois, embora relativamente jovens, são diplomatas aprovados em concurso muito diferente desse que você vai enfrentar. Fábio Farias ingressou no IRBr em 2004; Bruno Zétola, em 2006. O que à primeira vista poderia parecer familiaridade com o estilo de prova que um cacdista de hoje conhece, na verdade pode resultar em deturpações resultantes, justamente, da negligência em relação à evolução da qualidade técnica das provas objetivas do CACD nos últimos dez anos de concurso para diplomata sob a tutela profissional e qualificada do Cespe/Cebraspe. A expertise acumulada pela instituição ao longo de quase duas décadas de colaboração e sinergia com o Instituto Rio Branco na seleção de diplomatas, a meu ver, estava rendendo frutos muitíssimo positivos do ponto de vista técnico. A mudança radical de instituição organizadora e de estratégia de composição das bancas, ao mesmo tempo, pode colocar em risco esse legado.

E você, como interpreta esse plot twist na antevéspera do TPS 2019? Que outros aspectos das mudanças te chamaram atenção? Que dúvidas elas suscitaram para você? Escreva nos comentários e vamos conversar pra ver se a gente chega junto a alguma conclusão razoável.

Ou então fuja daqui e volte pros seus estudos, que a prova está logo ali e as mudanças, para o bem ou para o mal, atingem todo mundo de forma parecida. Mais relevante agora é trabalhar a serenidade diante desse e de outros imprevistos que sempre ocorrem mas não devem canalizar as suas energias.

     

    Sobre o autor: Luigi Bonafé - aprendacom@luigibonafe.com

    Eu sou um professor de História apaixonado pelo desafio de redescobrir o magistério e desvendar a banca do CACD a cada ano. Desde 2007 dou aulas especificamente para quem quer ser diplomata. De lá pra cá, as provas do concurso mudaram muito, e os candidatos também. Como professor, eu fui mudando junto. Desde 2015 passei a lecionar nos cursos teóricos extensivos do IDEG, que ajudaram a revolucionar os fundamentos da preparação para o concurso de diplomata. Desde 2016, em plataforma própria e independente de cursinhos, criei um método de preparação para as provas discursivas de História do Brasil do CACD. E esse método foi aplicado pelos 3 candidatos que tiraram as notas mais altas das provas discursivas de HB em 3 anos seguidos: 2016, 2017 e 2018. Deixa eu te contar um pouco mais dessa história...

  • Matias Rodigues disse:

    Chego aqui depois de procurar, creio eu, por todas as opções de carreira possíveis. Algumas até que me identifiquei parcialmente, mas não era aquela satisfação que via no meu irmão por exemplo que desde muito cedo sabia e já vestia a camisa do engenheiro, eu ficava satisfeito por um tempo e logo já dispersava pensando em algo que, de fato, iria suprir minha sede por desafios. No final da minha desilusão com meu trabalho abro o vídeo do depoimento do Angelo Santos, isso em meio a pesquisas por concursos militares e afins, rapaz, eu me identifiquei com o cara. Abri a página do MRE e vi que estavam abertas às inscrições… 10min. depois, boleto pago, cai na real da minha preparação zero! Volto no vídeo Luigi Bonafé, vi as aulas…
    Já era, sou CACDdista agora! Iniciante e ignorante ainda mas sei que sou, esse tempo todo procurando e a sensação de objetivo nunca tinha sido tão clara na minha cabeça.
    Vou nessse 2019 pra ler a prova apenas. Mas és o meu oráculo nessa empreitada Luigi. Abraço!

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